Encontro Literário Musical do 1º ano

Idealizado com a proposta de unir o trabalho de duas importantes linguagens – a escrita e a musical –, o Encontro Literário Musical do Oswald envolve os alunos do 1º ano do Ensino Fundamental I para a apresentação de um número musical e para o lançamento do livro de reescrita da turma.

A culminância do projeto aconteceu na última semana, quando as famílias, com direito a sessão de autógrafos, receberam os exemplares impressos e apreciaram a apresentação musical das crianças, que cantaram e tocaram lindamente.

“É lindo ver tanta riqueza de conteúdo ser transformada em um livro e também de como as músicas podem ser adaptadas para a idade deles. Fiquei muito emocionada porque acompanhei todo o processo de criação do livro e eles realmente se envolveram e se apaixonaram por este projeto”, declarou Andrea Wellbaum, após acompanhar o evento do filho Oliver, aluno do 1º ano B.     

 

Projeto de reescrita

O desenvolvimento do projeto de reescrita de um livro com os alunos envolve inúmeros conhecimentos e procedimentos necessários para formar leitores e escritores competentes, o que faz do trabalho algo enriquecedor no processo de alfabetização.

Segundo a Coordenadora Pedagógica Rosane Reinert (G5 da Educação Infantil ao 2º ano do Ensino Fundamental I),  aprender a ler e escrever faz mais sentido quando se é convidado para participar de práticas de leitura e escrita como se faz fora da escola, na vida real. Fora da escola, lemos e escrevemos com diferentes propósitos e, no 1º ano, o desafio é trazer um tanto desses propósitos para nossos encontros. O projeto da reescrita é o convite para que, conhecendo bem um conto, as crianças possam reescrevê-lo pensando em transmitir nessa escrita os sentimentos que desejam. E, para isso, precisam tomar a tarefa em toda sua complexidade: imaginando quem serão os leitores, onde esse texto vai circular e que termos precisam estar presentes para que possam transmitir as ideias combinadas. “Nós entendemos que a aprendizagem da leitura e da escrita é algo bastante complexo, que exige inúmeras capacidades e conhecimentos que envolvem a compreensão do sistema  – que é o entendimento de que B com A lê-se BA –, mas, além disso, envolve também saber mais sobre a linguagem que usamos para escrever; ou seja, sobre os modos diferentes que organizamos os textos e os discursos para vivermos situações comunicativas”, explica.

Para ela, trata-se de uma série de oportunidades que colaboram para que os alunos possam avançar em relação a esses saberes de uma forma mediada, genuína e muito consistente. “O fato de as crianças poderem recontar uma história que elas já conhecem por meio da linguagem escrita é um estímulo importante no processo de alfabetização. Dentro desse trabalho tem todo um passo a passo para repertoriar as crianças com os textos de qualidade, escolher aquele que será reescrito, colecionar bons inícios e finais de contos, listar palavras que possam substituir nomes de personagens a fim de evitar repetições exaustivas na escrita, até a textualização em si, registrada pelas mãos do professor, e as revisões finais, como fazem bons escritores”, completa a Coordenadora. As crianças vivenciam todas as etapas de uma produção autoral.

Nesse processo, os alunos estão imersos em uma série de ações, como a escolha da história, a reescrita, a ilustração e a revisão; e, com isso, eles têm a oportunidade de ampliar seus conhecimentos acerca da literatura, entendendo como funciona a produção dos livros, além de aprender a trabalhar em equipe.

Por ser um projeto de tanta visibilidade, existe um envolvimento muito grande por parte dos professores e também das crianças, o que faz da atividade algo desafiador para os alunos, já que eles têm que se colocar no papel de escritor, em um projeto que envolve o grupo todo.

Segundo a professora Juliana Maia Kawaguchi, além de ser a menina dos olhos do 1º ano, o Encontro Literário Musical propõe aos alunos uma aproximação com a linguagem escrita. “Escolhemos a reescrita porque é uma história que eles já conhecem, e assim eles têm que pensar só na linguagem, e não no enredo e na coerência da história”, explica Juliana.

Já a auxiliar de sala Giovanna Colini, destaca o sentimento de orgulho que o projeto desperta nas crianças. “Do meu ponto de vista, esse projeto vai além da aproximação deles com a linguagem escrita. Ele envolve também uma sensação de orgulho por terem criado algo palpável. Este é só o começo do nosso processo de educação literária e também um marco para a educação dessas crianças”.

A professora Patricia Spinelli fez questão de ressaltar as aprendizagens adquiridas pelas crianças durante o projeto. “Eles aprenderam a diferenciar a linguagem oral da linguagem escrita, aproximaram-se dos procedimentos de leitor e escritor, conheceram novos autores, analisaram e entenderam bons textos de gênero narrativo e aprenderam a trabalhar em equipe, o que foi muito pontual em todo o processo, porque saber ouvir e aceitar o ponto de vista e ideias do amigo trouxe sensibilidade, amadurecimento e afetividade para eles”.

 

Musicalidade

Estudos afirmam que a música faz bem para o cérebro humano, podendo contribuir para seu desenvolvimento em diversos aspectos. Por isso, realizamos um trabalho muito focado no desenvolvimento da musicalidade das crianças.

“Nessa idade é fundamental expandir os repertórios, apresentar coisas que sejam novas e que amplie os horizontes musicais de escuta, de canto e de expressão musical das crianças”, explica o professor de música Mauricio Braz, que escolheu o repertório do grupo Meninos do Araçuai, coro de crianças da região do Vale do Jequitinhonha.

Com as opções de repertório em mãos, os alunos puderam escolher, de forma coletiva, qual música cada turma queria apresentar para as famílias e quais instrumentos cada um queria tocar.

“Depois das escolhas feitas, nós montamos juntos os arranjos e esse processo foi muito rico para eles, além de ser um grande desafio, já que, além de tocar juntos, trabalharam suas habilidades vocais. É uma construção coletiva de cantar e tocar juntos, respeitando o momento de cada um”, completa o professor.

Fernando Zorzo, pai de André, aluno do 1º A, também elogiou o projeto. “O evento foi incrível e poder participar disso com eles é muito legal. Fico feliz por ver que eles estão se desenvolvendo tão bem, que no 1º ano já escreveram um livro e participaram da criação do arranjo de uma música. Isso é maravilhoso!”, conclui Fernando.