Projeto Rupturas discute relações em redes digitais e cyberbullying

Os conteúdos ofensivos que circulam na internet são um assunto complexo e em plena discussão entre estudantes, educadores e famílias. Por considerar a importância e a urgência de discutir essas questões, realizamos nesta quarta-feira, 17 de abril, um dia de Rupturas.

Com o título ‘Faces do público e do privado: relações em redes digitais’, neste ano o Rupturas discutiu o convívio social nas redes, a partir da troca de experiências dos adolescentes. Nesse sentido, também discutimos as relações presenciais, fora da rede, e como um e outro campo podem estar vinculados para uma convivência colaborativa e respeitosa.

No primeiro momento do dia houve uma sensibilização, por meio de alguns cartazes criados pela agência de publicidade Young & Rubicam, com imagens de alguns rostos de pessoas “machucadas”. As marcas nos rostos foram produzidas pela equipe de criação da agência a partir de emojis superpostos, sugerindo as possíveis “feridas” deixadas por nossas relações digitais. A campanha é assinada como “Palavras machucam”, expressão de referência da Safernet — entidade de referência nacional no enfrentamento aos crimes e violações aos Direitos Humanos na internet.

Durante as atividades, os alunos foram divididos em grupos e participaram de sessões de exibição do filme Eighth Grade, que traz as angústias de uma adolescente em sua última semana no 8º ano (correspondente ao nosso 9º ano do Ensino Fundamental II) e a passagem para o Ensino Médio. Permeada pelas relações em redes digitais, mídias sociais e construção de identidade, as temáticas levantadas pelo filme sensibilizaram os estudantes do Oswald a refletirem sobre suas próprias relações.

Os alunos também compartilharam suas impressões e experiências pessoais nas redes digitais, níveis de exposição e vulnerabilidade dos dados e incômodos gerados nas relações em meios virtuais. Essas trocas ocorreram durante rodas de conversa com as psicanalistas do CAJU, coletivo especializado em juventude e adolescência que participou desse Rupturas a convite do Oswald.

De acordo com o Coordenador de Tecnologias Educacionais e Bibliotecas, Eric Netto, trata-se de um tema relevante e urgente, que precisa ser trabalhado em diversos momentos da formação do aluno, viabilizando situações de aprendizagem em que se pensem os dilemas e as oportunidades do mundo virtual. “O cyberbullying, por exemplo, assim como outros modos de violência em redes, convoca-nos a uma reflexão sobre o uso ético das plataformas digitais em um tempo em que despontam a intolerância e os discursos de ódio. Nesses ambientes de compartilhamento de informações, qual o limite do que pode ofender o outro, quais mensagens e imagens que me ofendem?”

Se com as redes sociais é possível diversificar os fluxos de informação, elas também abriram uma nova forma do espaço público, em que aparecem valores controversos como a preocupação excessiva com a auto-imagem e os usos violentos de publicações e mensagens na rede.

Dados recentes reforçam a pertinência do tema na atualidade. Uma Pesquisa Sobre o Uso da Internet por Crianças e Adolescentes no Brasil apontou que atualmente as Tecnologias de Informação e Comunicação são compreendidas sob o espectro dos Direitos Humanos, na medida em que promovem oportunidades de disseminação de informações, acesso ao conhecimento e liberdade de expressão.

A pesquisa, intitulada “TIC Kids Online Brasil 2016”, aferiu que 20% dos usuários de internet com idades entre 9 e 17 anos sentiram-se ofendidos em algum tipo de interação online nos 12 meses que antecederam a pesquisa. Chama a atenção também o fato de 40% dos usuários de internet de 9 a 17 anos terem visto alguém ser discriminado nas redes; essa proporção é de 52% entre os usuários de 15 a 17 anos.

Para a aluna Clarissa Girão, da 1ª série do Ensino Médio, as atividades do Rupturas são sempre instigantes porque costumam levantar temas que precisam ser discutidos e analisados. “O projeto sempre faz referências importantes e essa oportunidade de refletir de forma crítica sobre questões polêmicas, como o cyberbullying e as relações das pessoas nas redes sociais, por exemplo. Me sinto representada e acho muito bom ter esse espaço aqui no Oswald. E com certeza vou rever algumas coisas em relação ao uso das redes sociais.”

“Não faltam exemplos de interações que disseminam ódio e que se afastam da colaboração e do respeito à diversidade”, afirma Eric Netto, que completa: “Há formas violentas de estar nas redes, e poder lidar com elas e não proliferá-las é uma preocupação pedagógica no Colégio Oswald, nas diversas situações de aprendizagem que planejamos”.

Já a Assistente de Coordenação de Tecnologias Educacionais e Biblioteca, Tatiana Luz, destaca que esse trabalho é integrado a algo que já está sendo feito dentro da sala de aula. “Os professores estão trabalhando temas relacionados ao projeto dentro de suas disciplinas e a ação de hoje vem para aquecer isso e aumentar o engajamento dos estudantes”, explica.

Segundo Tatiana, existe ainda uma proposta de que o projeto seja replicado no Ensino Fundamental II, por meio de uma intervenção dos alunos do Ensino Médio. “Seria bacana se eles pudessem propor, a partir de suas críticas, uma proposta de ação para ser conduzida com as turmas mais novas, com sugestões de mídias e formatos de trabalho”, contextualiza.

 

Projeto Rupturas

O Projeto Rupturas foi idealizado com a proposta de envolver nossos estudantes de Ensino Fundamental II e Médio em atividades que promovam aprendizagens diversas e inspirações sobre temas contemporâneos e polêmicos, rompendo a grade curricular de aulas, revendo as formas convencionais de aprendizado e reorganizando temporariamente o cotidiano escolar.

A auxiliar de Tecnologias Educacionais, Elena Mambrini, lembra ainda que as atividades do projeto realizadas neste ano são um desdobramento de algumas ações realizadas em vários outros momentos dentro do colégio. “Tanto no que se refere à questão de segurança digital quanto sobre o cyberbullying, há uma preocupação por parte dos professores e dos alunos de fazerem o uso crítico das mídias digitais, seja nas redes sociais ou em sites, e desse ponto de vista essa conversa é muito importante”, conclui.